Preenchi cada silêncio, cada cômodo vazio que criou. Era automático para mim, fui um decorador. Nunca fui minimalista no gosto, imagina se seria contigo? Percebi tarde demais, que o senso estético era só meu. Como é opressivo ver que essa casa que construímos só tem coisa minha. Eu estava cego ou você estava morto? Me tratou como ponto de ônibus enquanto eu te tratei como lar? Agora flutuo entre a culpa de não ter te enxergado e o orgulho de saber enfeitar minha própria vida.