Existem pessoas que se colocam acima de qualquer coisa. Naturalmente individualistas, encontram a felicidade em si mesmos. Outras, colocam algo acima de si próprias. Não são completas se aquilo que veneram não está ali. Quem é você?
Chamem-me de petulante, mas me considero altruísta ao menos um pouco, daqueles que quando podem, ajudam. E você?
Sou daqueles que identificam olhares perdidos no meio da multidão. Tento ser gentil, amável, confiável. Alguém que se entrega ao momento. E você, quem é você?
Tenho falhas de caráter, claro. Não vou com a cara de alguém aqui e ali; me envolvo em discussões desnecessárias. Ignoro ignorantes, sei que você também.
Faço doações ridículas de tão pequenas para ongs que nem sei se são verdadeiras sempre que sobra um dinheirinho. Confesso que não sei se por generosidade ou por ego, mas a própria dúvida me mostra que estou no caminho certo. Questiono a minha índole. Questiono o que me move. Envergonho-me dos meus erros.
Fico encantando com facilidade em ver o sorriso daqueles perto de mim.
Minha utopia é uma sociedade onde as riquezas são bem distribuídas,
onde a educação e saúde chega para todos,
onde a tecnologia evoluiu para que o trabalho seja feito por máquinas.
Onde as pessoas viveriam para satisfazer seus prazeres.
E tenho fé que nessa sociedade, nossos prazeres seriam a busca pelo conhecimento cientifico, a competição sadia dos esportes, as artes e por aí vai.
Mas vivo na sociedade do culto a intolerância. Decadente.
Onde há orgulho em não respeitar as diferenças.
Onde o tripúdio ao diferente é local comum, é mais que comum, é aceito, incentivado.
Isso me entristece, cresce o vazio no peito. Vem-me um sentimento de não pertencer a lugar nenhum, de que minha existência é errada.
A sociedade é um grande ser. Tem seu próprio comportamento, seus desejos. Respira, cresce, vive! Sou apenas uma célula nesse sistema. E como tal, se esse ser vivo não está saudável, como eu posso estar?
E foi aí que percebi que estou matando esse ser vivo.
Apesar de querer cooperar, de querer o bem, não tenho galões e galões de esperança que os dias atuais exigem.
Esses demônios em mim,
essa tristeza em mim,
essa escuridão que me cobre,
esse reflexo da sociedade que me revira
e me revirando eu reviro a sociedade
e nessa bola de neve, eu mera célula
me transformo num tumor de intolerância.
Adoeço-me nessa sociedade doente.
Sucumbo nesse sistema doentio. Aceito meu fim.
Vomito na sociedade mais tristeza, mais escuridão, mais demônios e mais desesperança.
Assumo meu papel como tumor e falho na minha missão de salvar a todos.
Torno-me o agente da morte daquilo que amei.