Foi no elevador que senti o seu sorriso,
Era como um aroma que chega leve — Fica!
E, num dia como hoje — logo após ter te deixado
a memória do seu toque ainda na minha pele
Seu cheiro ainda no lençol,
seu suor, no meu sofá,
e as palavras que disse à mesa.
ainda ecoam pela casa.
Minha casa agora me devolve você
e cada canto me bate
E eu apanho.

Nem foi tão longo o nosso tempo.
Mas bastou.

Bastante pra ainda esbarrar em você pelos cômodos
Bastante para ainda te ver
quando fecho os olhos forte demais —
logo meus olhos,
os mesmos que você pediu pra não fechar,
pra não desviar,
pra manter fixos em você.
pra sincronizar o fôlego
Te olhar agora é um jeito novo de respirar
Ainda não sei explicar
os lugares novos que me levou
simplesmente no lance deste seu olhar

Meus olhos
É estranho como preciso mantê-los abertos quando você está por perto,
e fechados quando está longe —
tudo pra te manter comigo.
Pra preservar, em silêncio,
o que o seu toque em mim
ainda continua escrevendo.