Nasceu do nada, pensei!
Uma flor crescendo em meu jardim — não plantei, não reguei, de onde vem?
Quis proteger, esconder, mantê-la para mim
que medo tive dela ser roubada,
como uma coisa tão bela passaria ilesa pela madrugada?

Como é bela a flor que apareceu em meu jardim,
quando a toco, tenho vontade de arrancá-la, rasgar suas folhas,
como tudo que se gosta com gana,
como tudo que se gosta e sabe que passa — e sabe que não se controla.
Colocá-la no canto da orelha e curtir um passeio ao sol enquanto temos tempo,
colocá-la num vaso e vê-la linda nos cômodos frios e sem vida da minha casa,
logo logo sofreria ela do mesmo fim.

Era como se a flor soubesse, que, apesar do meu desejo de destruí-la violentamente, meu coração ainda era clemente.
Quer saber, vou deixá-la ali no meu jardim.

Não me pediu permissão, não perguntou se podia ficar, apenas fez o que é de sua essência, ser flor!

Eu que nada fiz além de ser terra fértil a deixá-la crescer, ainda sim me presenteou, em cada pétala, em cada folha me lembrou das coisas doces e gentis da vida, tal como seu perfume que me toca quando o vento sopra.

Ela não fez isso por mim, sua intenção não era me conquistar,
mas por apenas ser flor, me ensinou a gostar do cheiro do vento a me tocar